Por Fernando Henrique Freire Machado – Analista Jurídico
O Brasil parece ter se acostumado a enxergar a política como um duelo permanente entre dois extremos. Nas redes sociais, discursos inflamados dominam a atenção pública, enquanto a impressão transmitida é a de que o país inteiro está dividido em dois blocos irreconciliáveis. Entretanto, essa percepção não corresponde integralmente à realidade.
Pesquisa destacada recentemente pelo instituto Atlas, revela um cenário bem diferente. Segundo o levantamento, apenas cerca de 12% do eleitorado se identifica com os polos mais radicalizados da política nacional. Em contrapartida, aproximadamente 53% dos brasileiros pertencem ao grupo dos chamados “invisíveis”: cidadãos que não fazem da política uma guerra diária, que raramente ocupam o centro das discussões virtuais e que preferem avaliar governos pelos resultados que produzem.
São brasileiros que acordam cedo, trabalham, empreendem, estudam, criam seus filhos e enfrentam desafios concretos. Preocupam-se com o preço dos alimentos, com a qualidade da educação, com o acesso à saúde, com a segurança das famílias e com a oportunidade de construir uma vida melhor. Para eles, pouco importa quem vence a batalha das redes sociais. O que realmente importa é quem consegue melhorar a vida das pessoas.
Esse eleitor demonstra, acima de tudo, maturidade. Pode ter convicções conservadoras ou progressistas em determinados temas, mas rejeita a intolerância e o radicalismo como método de fazer política. Espera responsabilidade na gestão pública, respeito às instituições, equilíbrio fiscal, desenvolvimento econômico e políticas capazes de transformar discursos em resultados.
Infelizmente, parte da classe política continua alimentando uma lógica de permanente confronto. O debate público frequentemente é reduzido a ataques pessoais, slogans e disputas ideológicas que pouco dialogam com os problemas enfrentados pela população. Enquanto isso, milhões de brasileiros seguem esperando menos espetáculo e mais competência.
Como analista jurídico e defensor de uma centro-direita responsável, acredito que o Brasil precisa redescobrir o valor da moderação. Democracias sólidas não se fortalecem quando os extremos monopolizam a política, mas quando prevalecem o diálogo, a responsabilidade institucional e a capacidade de construir consensos em favor do interesse público.
A boa notícia é que o futuro não pertence necessariamente aos que fazem mais barulho. Pertence também aos que refletem antes de votar, aos que valorizam a estabilidade, aos que acreditam que desenvolvimento econômico, justiça social e segurança jurídica podem caminhar juntos.
O Brasil já superou desafios muito maiores do que a polarização. Nossa história demonstra que, nos momentos decisivos, a sociedade costuma encontrar o caminho do equilíbrio. Há esperança porque existe uma imensa parcela de brasileiros que continua acreditando no trabalho, na honestidade, na democracia e na força do diálogo.
Talvez seja justamente esse Brasil discreto, sereno e comprometido com soluções, e não com conflitos, que conduzirá o país a um novo ciclo de estabilidade, crescimento e confiança. Quando a política voltar a ouvir essa maioria, o Brasil deixará de ser refém dos extremos e voltará a ser protagonista do seu próprio futuro.
